Uma experiência única

Uma experiência única - Shopping Iguatemi

  • Shopping Iguatemi - O Iguatemi e a modernidade

› O Iguatemi e a modernidade

Por Ignácio de Loyola Brandão

Quando uma experiência é única é para toda a vida. Passa a fazer parte do que somos. A princípio, a Iguatemi era apenas uma rua estreita. Ponto de passagem rumo ao Jóquei ou ao Morumbi. Quase não havia nada de notável a não ser algumas casas ricas, um riozinho, algumas ruas inexpressivas. Um dos derradeiros pontos na direção do rio Pinheiros ainda não ladeado pelas avenidas marginais.

Súbito, lembro-me bem, o choque com a notícia. Há uma palavra da época, anos 60, o pasmo. Um shopping? Vão construir um shopping! Coisa que somente viajados sabiam o que era. Ou então tínhamos visto no cinema americano, parte do 'american way of life'. Então a Iguatemi mudou, passou a ser avenida Faria Lima, larga, urbanizada.

O shopping nasceu e o paulistano correu. Foi, viu e gostou, tomou de amores. Claro, o shopping se chamou Iguatemi e a face da cidade mudou. Tinha chegado a modernidade. Mais do que isso, o futuro. Rapidamente toda a região se agitou, se transformou. Havia pressa de acompanhar o ritmo do mundo. O Iguatemi levou a uma revolução, obrigou a mudança de mentalidade, costumes, introduziu novos hábitos. Gente atravessava a cidade, o Estado para conhecer, visitar.

Não foi só por isso que o paulistano tomou gosto pelo Iguatemi, a ponto de solidificar esta ligação tornando-o o mais amado. Há coisas que transcendem o puro comercial, o marketing planejado. Porque, sendo experiências únicas, são emoção, consequentemente, devoção. Um sentimento espontâneo, que nasce na maneira de se ver envolvido, sentir-se correspondido. Conheço o Iguatemi desde que nasceu. Ele veio nos capturando, um a um. Ponto de jovens - porque o shopping substituiu o antigo footing - de adultos, de maduros, de todos.

Como esquecer a primeira grife internacional, a Armani? E vieram como que numa esteira veloz todas as outras. Como imaginar que seria o point das grifes, o shopping da moda, das tendências? Onde vemos e conhecemos, convivemos com pessoas diferenciadas que fazem São Paulo e, por que não, o Brasil. Cada momento Iguatemi é um instante especial. Algum supera a decoração de Natal? Não circula sempre pela cidade a interrogação: qual será o motivo deste ano? Coisas esperadas, porque são beleza. Iguatemi, a casa que idealizamos ter. Requintada, acolhedora, cheia de si, plena de auto estima. Única.

Ignácio de Loyola Brandão é escritor e jornalista, tem 34 livros publicados, entre romances, contos, crônicas, viagens, infantis. Já levou o Prêmio Jabuti Melhor Livro de Ficção de 2008 com "O Menino que Vendia Palavras" e atualmente, trabalha como cronista do jornal 'O Estado de S. Paulo', do Conselho editorial da revista 'Vogue' e da 'Academia Paulista de Letras'.